Um dia de manhã olhaste para mim, e com o teu ar doce e habitual, pediste-me que te escrevesse um texto com todas as coisas, que até hoje, tinha aprendido contigo. Fechei-me no meu quarto por volta da meia-noite e pensei numa coisa bonita para escrever, algo que te ficasse para sempre na memória. Eram duas da manhã e o papel continuava em branco. Apercebi-me então que as únicas coisas que me tinhas ensinado tinham sido a ‘amar’ e a ‘perder’. Rabisquei uma folha em branco e chorei por não conseguir escrever nem uma palavra. Chorei por raiva e vergonha de mim própria. Quando olhei pela janela vi um pequeno raio de sol. O dia tinha amanhecido e a folha de papel continuava na mesma. Tinha os olhos vermelhos e a minha cabeça parecia disparar a mil à hora. Senti-me tentada a ler tudo aquilo que já me tinhas escrito, e senti-me inútil perante tal situação. De repente deparei-me com uma carta que me chamou a atenção e dizia ‘deste-me lápis, mas esqueceste-te do papel’. Olhei em redor e percebi que me encontrava na situação exactamente oposta a ti. Tinha o papel, mas faltava-me material para escrever, sem o qual não era capaz de nada. O material a que me refiro nesta simples carta são as palavras, essas malditas traidoras, que insistem em faltar quando mais precisas são. Li e reli a ‘tal’ frase e depois de horas a fio a pensar, um sorriso despontou na minha face, e percebi o significado do teu pedido naquela manhã. O que realmente me querias mostrar é que sem papel e sem lápis conseguimos transmitir o ensinamento mais importante de todos: o amor. Todo o material de que precisamos são sorrisos, lágrimas e um coração. Coração esse que foi ensinado e criado por ti. Foi a melhor parte de mim que conseguiste transformar. Tu és a melhor parte de mim.
10.01.08