Certo dia, no tempo em que tudo na terra falava (até o rochedo), a rosa furiosa reclamava com a antipatia da abelha, dizendo que tinha sido muito mal-educada com ela. Reclamava, barafustava, gritava,...
Mas, a paciente e sábia abelha, filha da rainha, encheu os seus fininhos pulmões e disse:
- Reclama, tens todo o direito, o meu comportamento não foi correcto, desculpa... Mas digo-te isto: nada vai afectar a nossa relação, tal como os humanos se unem em laços eternos de amor, de amizade, nós não conseguimos viver um sem o outro, é-nos impossível...
As pétalas relaxaram, o roto ficou menos pesado e a rosa esboçou "aquele" sorriso, sorriso que era só dela.
- Eu sei.
E a relação continuou, mesmo com a irritabilidade da rosa e com as respostas secas da abelha, continuou até aos nossos dias. E uma prova disso é a abelha ir todos os dias de manhãzinha dar um beijo de acordar à rosa e levar pólen para encantar o mundo.
João Prata - Prenda de Natal
Coimbra, 5 de Fevereiro de 2007